Resgatei o ente querido, ferido.
Fiz uma aposta,
Desfiz.
Até me convencer
Que tempo é mar,
De ondas gigantescas
E peixes mortos e belos.
Fomos arrastados até o fim da vida,
Puxados por redemoinhos da miragem.
Nesse delírio da vida,
De tantos achados e perdidos,
E visões que podem ser dislexia.
Finda onda a qualquer lugar,
Deixe-se ser somente mar.
Calmo, frio e de vida apenas marinha.
E de águas que terminam à beira-mar.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Imagina quantos lugares existem dentro do "aqui"
Estou pontuando e desatando alguns nós que a vida deu. Ultimamente, o que me tem sido válido não é de valia alguma pra qualquer participante desse reality show. É como se tudo o que aqui pertencesse, tivesse de passagem como eu, mas pra outro lugar, diferente do meu. Eu não consigo pegar uma agulha pra levar comigo, até o crochê teve que perder a vez. A roupa, o sapato, o pai e a mãe, de ninguém pertencem, nem a mim, comprei tão suado aquela roupa cara. E aí? Qual é a validade? Deixo de pagar caro com dinheiro pra pagar caro com a cara. Porque se não tenho o que o dinheiro me comprou, o que não pode comprar muito menos será meu.
Mas já deixei de querer muito pra mim. Acho que muito e pouco se equivalem quando o assunto é quantos estão no bolso e quantos estão ao lado.
Metaforicamente falando, não te trará satisfação ir pro céu se você gosta do inferno.
Aqueles senhores da praça que tanto me encantaram não são meus, nem daqui de onde eu piso. Eles são de onde quiserem ser, e escolheram ser da praça e da música. E olha, nem na praça eles estão mais.
A validade das coisas se relaciona diretamente com o tédio empregado aquele lugar ou aquela situação. Os senhores se entediaram enquanto eu pedia bis, e foram embora. Assim que está me parecendo a vida.
Nem vou esperar muito tempo até ficar claro, porque “e se”? E se os senhores ficassem na praça? Talvez o entediado seria eu. E não teria peito pra dizer que aquilo já não mais me satisfaz como antes me encantava.
Então é por isso que tudo que resolveu chegar ao fim e partir por conta própria, eu deixo que vá. Não me cabe pontuar, não enquanto estiver preparado pra que aquilo novamente aconteça.
Das vontades eu sei quase todas que eu quis experimentar. Mas eu ouvi o certo de que ‘vontade dá e passa’.
Não sei se vai passar. Mas se não passar, eu arranjo outras só pra me assegurar.
Por fim, acho nem de estratégia, nem de estrada a vida é feita... porque até agora ninguém, de fato, viu o fim e cumpriu sua meta como prometido. Nem vi pecados a pagar. Injustiça divina ou justiça dos homens?
sábado, 7 de abril de 2012
praça
Queria poder dizer olá
Para o casal de senhor que canta com prazer no olhar
Canções que me fazem adorar
A vida dura e amarga
Que cada passo prova o espaço
Dessa tal beleza de cantar
E da tristeza do corre de lá pra cá.
terça-feira, 13 de março de 2012
brotar
Sob essa pele
Nasce numa sebe
Que de outrora era febre
Agora, fica alegre
Dessa nascente
O fluxo
O reflexo da água nos olhos
É incandescente
E toda beleza em forma de flor
Desabrocha e ganha cor
sexta-feira, 9 de março de 2012
(sem) rumo
Partir é de querer racional. Não generalista, mas sim, individualista. Racionalmente, envolvendo-se em cada ponto para partida ou de partida, talvez possa se entender o motivo da ida (ou vinda). Mas se esvai toda sanidade quando a dor lacrimeja nos olhos a cada minuto se separando pela distância.
Esse tempo nosso, somente nosso. Esse curto espaço de tempo e estalo nas ideias da certeza de partida. Realizando a cada passo o ponto inicial, duvidando das incertezas dos dois centímetros à frente. Mas parte, como que na certeza de uma mãe em trabalho de parto do filho que está para chegar, ela sabe, é menino (ou menina), mas das suas características, do som de seu choro, seu tamanho e como ele vai crescer a medida que ela envelhecer, nunca saberá.
Vai certo do incerto, decidido por teimosia da própria criação, vai. Por todos os infortúnios que estão atravancando seu caminho, a certeza cresce. De dentro pra fora a ânsia e a curiosidade vai deixando embasbacado, assim que nem viu passarinho verde contando história da carochinha.
Vai, de certo que sim. Mas não partiu ainda. Teoricamente elaborado, praticamente iniciado. Na prática que a saudade vem. Se de saudade morrer – o que é improvável de se suceder-, não volta, enterra com a certeza que partiu, enterra com a certeza de que sentiu medo, enterra, só enterra, sabendo que não saber pra onde vai é uma hipótese universal, só que o ser humano “é sabido” demais pra admitir que nada sabe.
quarta-feira, 7 de março de 2012
deixa estar
O que houve com a poesia?
Arrancou polegar, indicador e médio
Foi por intermédio da censura
Eles devem achar que isso é remédio
Deixa o poeta afogar seu tédio
E palavra medida
É palavra contida
E conter-se é se render
Ao poder de quem tá no alto
Mas pouco deve saber
Que beleza escrita e feita
Apesar de não ser perfeita (nada é)
Tira do peito a dor que é negra
domingo, 4 de março de 2012
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