sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
'O menino dos olhos verdes'
Falaram de mim por aí
Disseram coisas lindas
De uma tarde prometida
E uma prosa sobre as coisas bonitas
Tive vontade
Do abraço
Dessa escrita em que deixo pra ti o espaço
Joana de nome sofisticado
Que me emudeceu com seu poema
Aonde sinto seu afago
Cá está meu recado:
Fico muito grato
E sem modéstia irei mostrá-lo
Pois tão grande foi meu agrado
Que senti sua doçura e abraço
'O menino dos olhos verdes'
"Um chá, um abraço.
Um pouco de prosa, verso e poesia.
Eu, você e a tarde.
Aquele reencontro, e a velha sincronia." Joana Ribeiro
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
permaneça
Nesses tempos de consumo
Engulo o amargo hábito de comprar
Do que tenho visto de bonito
E ainda o que há de se aproveitar
Minha fuga mora em meu lugar romântico
Espero nunca deixa-lo escapar
Sinto-o dentro de minh ‘alma
Doce flor a desabrochar
De todas as vezes que engulo aquele amargo
Apodreço a pétala do meu amar
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
tromba d'água
A boca da querida que não tem nome, diz que tem
Uma tromba d’água sobre minha cabeça. Sinto de imediato,
A qualquer momento toda água pode despencar.
Nesse momento acordo de um sono inesperado.
E assim desperto também inesperadamente.
E essa sensação de despertar se dá no momento
Em que me levanto da cama e sinto tudo girar,
O local e a forma como o percebo se desfaz em pó e torna-se
espiral de fumaça.
É nesse momento em que tiro das costas o sono
E faço uma troca involuntária pelas questões reais.
Nisso, invado minha memória,
Desfaço meus rabiscos,
Pois não posso acreditar na irrealidade dos sonhos
De noites silenciosas.
Mesmo carregando silencio no peito,
O amargor dá voz às escandalosas causas infundadas,
Postas sobre meu peito, minhas mãos, meus olhos e meus
ouvidos,
Junto das mágoas passadas
E as novas que estão para chegar.
Sofro por antecedência, pois não sei esperar
E não posso negar o desespero.
Faço um apelo e esmoreço.
Peço por uma pausa, peço também que ouçam a minha causa,
Apesar de não saber como dizê-la.
Por fim, não quero piedade,
Quero o direito ser eu mesmo, de verdade, e ter tempo para
buscar minha finalidade.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
terça-feira, 16 de outubro de 2012
o fardo do homem
Carrego o peso do sono nas pálpebras. Elas se fecham lentamente e de repente se apaga. Cinco minutos depois desperto dos minutos que pareciam mais lentos. Sou irrompido pela culpa de desperdício de tempo. Cinco minutos e toda uma parcela de informação diária já foi para o espaço se autorreciclar. Um seguimento frenético e ao mesmo tempo buscando estabilidade, sem livre acesso, sem permissão de conhecimento. Daí desses cinco curtos minutos o que se ocorre é o que não sei, mas prevejo porque sei que os acontecimentos se reciclarão daqui pra frente. E daqui pra frente...
Então por que estamos em ritmo frenético? Eis que todos nós estamos correndo para o sorvedouro, o abismo do que virá. Mas o que virá eu não sei e acho que nunca darei devida atenção se continuar correndo. E nesse período, -tal que somente sei relatar porque vivo em sua constância- é denso, denso, pois você é pego de surpresa e, pelo atraso que estamos acometendo nossa própria vida, não há tempo pra passar pelas etapas com a calma devida.
A incerteza é maior do que em qualquer outro momento. Um tempo de escassez aonde a tristeza cobria cada pequeno espaço num vago que se fez na minha mente. O cinza é memorável e de resto não é de tanta importância me recordar. Não intenciono vírgula em texto. Não ambiciono, mas também não abandono o que só posso lembrar e não me preocupar ou me incomodar. A neblina densa de dor de cabeça se instala. O que tinha como responsabilidade minha nunca fora, na verdade, e nunca será. Deslizo agora no decorrer da vida com um lembrete grudado na testa: inconstante. Um olho enfático das coisas que eu sei se abre e lá está o fruto do que realmente é uma semente, uma raiz e unidade. Não sei como me libertar das correntes dos costumes, essa que me acompanha por tantos anos e de repente voltei minha atenção a ela. De repente deixar de acreditar em tudo é uma alternativa mais palpável, porém, muito mais triste. E o de repente se faz dentro de um período linfático, de doença e amargura insuportável. Tudo é desagradável demais, tão desagradável que desprezo. Um maremoto de mim me arrebata, me ricocheteia pra beira-mar, me espanta, me espanca, me arranca com uma dor de cólica do lugar aonde nunca pertenci, aonde as circunstâncias cada dia mais burocráticas se tornam tédio materializado e a minha própria irrealização antiga em ser. Pois é tão difícil, tão atormentador que jamais deixará de ser, é constante e irredutível, porque se a prática fosse, nesse caso, tangível de estratégia e pudéssemos burlar, não seria tão sofrível.
Escrevo no decorrer dos dias e atendo as necessidades dentro das horas.
O que atribuíram a vida me cobram hoje como resposta ao mundo. Mas o mundo mesmo não me exige nada além de viver. A pressa invadiu os corações enquanto as sutilezas da natureza ocorrem de maneira calma por um caminho harmônico em sua própria finalidade. A guerra silenciada na boca dos ignorantes corre e voa pelos espaços ansiando demarcar e tornar privado o que sempre foi de todos como graça de nossa Natureza. Essa guerra aonde o que explodem são nossas cabeças com ocupações, preocupações e uma infindável busca por solucionar um problema inexistente e ao mesmo tempo irrealizável de forma que, o que existirá dentre as horas não será você, serão compromissos que exigem esforços de corpos doentes e cansados. Nos dispersamos de nós mesmos para tomarmos as dores que não é do mundo, nem nossa, mas de vigilantes da ordem/caos e da nossa privacidade, que não deseja te oferecer nada além que esforço diário e remuneração para que com os esforços que empregamos em nossas ambições(sempre irrealizáveis) consumamos em lojas de 1,99, varejo e atacado.
A vida, que não precede a nada mais que ela mesma, não se recolhe e nem se anula, mas nós a esquecemos no ato das vontades estúrdias, de realizações imediatas e conquistas de poder. Logo se sabe da inquietação da massa, já que cada vez se torna mais visível e desprezível a corrida pela concretização de sonhos miseráveis que não são nem nunca foram, de fato, fruto de nossa vontade ou idealização. Compramos a ideia de vida e felicidade em vitrines e concessionárias de automóveis. E enquanto observamos o absurdo acontecer, nos tocamos e afinal vemos a nós mesmos, dessa vez, negando-se a explorar e pagar caro por uma ideia de viver uma vida que não é nossa, nem é satisfatória e é nula em torno de si mesma, já que não existe outra forma de nos fazermos acontecer senão buscando estar dentro de nós mesmos.
Então por que estamos em ritmo frenético? Eis que todos nós estamos correndo para o sorvedouro, o abismo do que virá. Mas o que virá eu não sei e acho que nunca darei devida atenção se continuar correndo. E nesse período, -tal que somente sei relatar porque vivo em sua constância- é denso, denso, pois você é pego de surpresa e, pelo atraso que estamos acometendo nossa própria vida, não há tempo pra passar pelas etapas com a calma devida.
A incerteza é maior do que em qualquer outro momento. Um tempo de escassez aonde a tristeza cobria cada pequeno espaço num vago que se fez na minha mente. O cinza é memorável e de resto não é de tanta importância me recordar. Não intenciono vírgula em texto. Não ambiciono, mas também não abandono o que só posso lembrar e não me preocupar ou me incomodar. A neblina densa de dor de cabeça se instala. O que tinha como responsabilidade minha nunca fora, na verdade, e nunca será. Deslizo agora no decorrer da vida com um lembrete grudado na testa: inconstante. Um olho enfático das coisas que eu sei se abre e lá está o fruto do que realmente é uma semente, uma raiz e unidade. Não sei como me libertar das correntes dos costumes, essa que me acompanha por tantos anos e de repente voltei minha atenção a ela. De repente deixar de acreditar em tudo é uma alternativa mais palpável, porém, muito mais triste. E o de repente se faz dentro de um período linfático, de doença e amargura insuportável. Tudo é desagradável demais, tão desagradável que desprezo. Um maremoto de mim me arrebata, me ricocheteia pra beira-mar, me espanta, me espanca, me arranca com uma dor de cólica do lugar aonde nunca pertenci, aonde as circunstâncias cada dia mais burocráticas se tornam tédio materializado e a minha própria irrealização antiga em ser. Pois é tão difícil, tão atormentador que jamais deixará de ser, é constante e irredutível, porque se a prática fosse, nesse caso, tangível de estratégia e pudéssemos burlar, não seria tão sofrível.
Escrevo no decorrer dos dias e atendo as necessidades dentro das horas.
O que atribuíram a vida me cobram hoje como resposta ao mundo. Mas o mundo mesmo não me exige nada além de viver. A pressa invadiu os corações enquanto as sutilezas da natureza ocorrem de maneira calma por um caminho harmônico em sua própria finalidade. A guerra silenciada na boca dos ignorantes corre e voa pelos espaços ansiando demarcar e tornar privado o que sempre foi de todos como graça de nossa Natureza. Essa guerra aonde o que explodem são nossas cabeças com ocupações, preocupações e uma infindável busca por solucionar um problema inexistente e ao mesmo tempo irrealizável de forma que, o que existirá dentre as horas não será você, serão compromissos que exigem esforços de corpos doentes e cansados. Nos dispersamos de nós mesmos para tomarmos as dores que não é do mundo, nem nossa, mas de vigilantes da ordem/caos e da nossa privacidade, que não deseja te oferecer nada além que esforço diário e remuneração para que com os esforços que empregamos em nossas ambições(sempre irrealizáveis) consumamos em lojas de 1,99, varejo e atacado.
A vida, que não precede a nada mais que ela mesma, não se recolhe e nem se anula, mas nós a esquecemos no ato das vontades estúrdias, de realizações imediatas e conquistas de poder. Logo se sabe da inquietação da massa, já que cada vez se torna mais visível e desprezível a corrida pela concretização de sonhos miseráveis que não são nem nunca foram, de fato, fruto de nossa vontade ou idealização. Compramos a ideia de vida e felicidade em vitrines e concessionárias de automóveis. E enquanto observamos o absurdo acontecer, nos tocamos e afinal vemos a nós mesmos, dessa vez, negando-se a explorar e pagar caro por uma ideia de viver uma vida que não é nossa, nem é satisfatória e é nula em torno de si mesma, já que não existe outra forma de nos fazermos acontecer senão buscando estar dentro de nós mesmos.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
fatídico, unitário e pobre
Vi de fato, aquele fardo. De fato, que um fato concebido após o acontecimento é a plena estadia da consciência sobre o acontecido. Pois ver deve ser de uma falácia muda, de uma palidez imunda. Depois de tanto ver ficamos cegos. E depois de cegos nós nos rendemos. O mais estúrdio sentimento de pobreza, de momento e movimento. Porque sem ver, não se sente quase mais nada. Acompanhado desse sentimento sujo vem uma sensação de pecado sem tamanho. Uma pancada do destino. “É isso mesmo”, eu penso, pois se não vejo devo conceder ao meu raciocínio o direito de falar. Se não vejo, não quero falar propriamente dito. Aquele fardo que se tornou gente, sem tirar nem pôr. Com os mesmos boicotes e sacerdócios do ser, do ser gente e ser humano. Com toda essa humanidade, o fardo, carregado por uma memória pisada, de inocência inconcebível, se transforma a cada nova perspectiva. Ele está lá, sem dúvida. Nunca deixará de existir, um fardo é um fardo sem que possamos intervir na sua existência. Ele está no mais profundo da alma, que, inexplicavelmente, me sinto ainda muito imundo para descrever. A alma, de toda essa baboseira dita pra enganar os idiotas sábios os pobres acorrentados, é estado de espírito. E esse espírito dentro de nós é o acúmulo do fardo em sua maior mediocridade. O espírito é medíocre e empobrecido. E todo o trabalho imposto é passatempo pra que nos esqueçamos de toda essa mediocridade. O trabalho difere do dinheiro, do prazer de um salário, da satisfação pós-raiva. Raiva que nasce sem que possamos perceber por sermos tão medíocres quanto os que escondem a merda enquanto trabalhamos. Depois, é só depois, porque o sentimento é efêmero. E toda essa efemeridade se dá pelo fato que o tempo é tempo sem intromissões, que o tempo é por si só o condutor. O que fizemos e faremos é uma questão de caráter e consciência. Será consciência? Porque talvez a consciência seja um dom de quem é só. Consciência, talvez, se dê ao fato de estarmos nos encaminhando para o mais profundo de nós mesmos. Exteriorizar, depois, é ver. É nesse ponto que ficamos cegos. Não consigo conceber algo maior que cegueira quando se tem consciência. E claro, se estou consciente, eu não sei. Nunca sei. Eu só suponho. Suponho e pretendo. Tenho sempre pretensões egoístas e egocêntricas – nunca quero que mudem os outros – os outros são os outros independentes da minha existência, e aí está o egoísmo. Existe, acredito metaforicamente, na existência de uma raiz unitária no indivíduo. Essencialmente ela existe pra que sejamos nós mesmos. Isso nos proporciona viver, isso provavelmente é o acaso de todas as outras coisas, pois a raiz é uma só. A afirmação desses fatos é a consciência. Eu me repito porque quero me fazer claro pra mim mesmo. É difícil penetrar em sua consciência tendo plena consciência de estar querendo se fazer entender para si mesmo. Possivelmente esse é um fato que seja o fardo. O fardo somos nós e nós estamos para ele quanto ele está para todos. O fardo é cegueira, o fardo é a inconsciência inocente de não podermos entender de tudo. O entendimento, provavelmente, perdura sobre a vida e atravessa a morte. A morte é a percepção do ser fato e do ter fardo.
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